terça-feira, 1 de setembro de 2015

Elegia de abril

ELEGIA DE ABRIL

Alitta Guimarães Costa Reis
(São Lourenço - MG)












Morreu. De que, não importa. Morreu de tanto viver.
Morreu. Tão longe de mim. Em silêncio. Em solidão.
Há uma dor no fundo d´alma, mas como uma analgesia,
sensação quase irreal. Como se nada houvesse,
façoas coisas, dia a dia. De vez em quando, uma prece.
Às vezes, eu quase choro. Há o vazio. O frio. E eu,
sem mais ver, ouvir, tocar... continuo a amar.

Olhar claro como o dia. Humor denso como a noite.
Tantas vezes o silêncio era cheio desse olhar,
alegre por me ver, e bom... como uma lareira acesa,
como um vinho especial, como um macio aconchego...
Palavras, que, em geral, são fugidias qual vento,
ou são duras como pedras, ali fluíam bem soltas,
em sinfonias envoltas, como águas cristalinas...

Mas o fio se rompeu. Simples assim, como é dito.
Entrou para o infinito. E eu me perdi de seus passos.
Foi um desmantelamento. Caí de borco, aos pedaços.
Meu olhar, seco e sombrio, nega tanto sofrimento.
Dentro de meu coração, eu vivo uma paz estranha,
azulada nostalgia. Sou como uma calmaria,
no oceano de agonia, no olho de um furacão.

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