Mostrando postagens com marcador Walter Whitton Harris. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Walter Whitton Harris. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Meu gato fugiu

MEU GATO FUGIU !!!

Walter Whitton Harris
(São Paulo - SP)



      Tenho um gato preto. Ele é gordo e folgado. Está lá com seus nove anos de idade. Chegou em casa com apenas 15 dias, portanto hoje faz parte da família. Junto com ele vieram mais três gatos, todos da raça SRD (Sem Raça Definida!). Com o passar dos anos, restaram somente ele e mais um.
       Durante o dia, dormem juntos no sofá. Quando chegamos em casa, seja de dia ou de noite, parecem adivinhar que estamos do outro lado da porta do apartamento, pois lá encontram-se eles esperando para nos cumprimentar. O poder auditivo de gatos é algo impressionante.
       É aí onde reside o perigo. Houve várias tentativas do gato preto sair para o hall, mas toda vez, com o pé, conseguia fazê-lo voltar para dentro de casa. Um dia até conseguiu esquivar-se e foi parar no meio do hall. Porém, ao chamá-lo, voltou correndo. Temos de ficar sempre atentos para que nenhum dos dois escapem, embora o outro gato seja mais tranquilo e jamais pôs as patas para fora de casa.
       Rotina vai, rotina vem. Gosto de chamá-los quando estou em casa. Certo dia, cadê o gato preto? O outro respondeu, mas nada do gato preto. Procurei em todos os esconderijos habituais. Nada. Procurei atrás do monitor do computador, um lugar predileto. Nada. Afastei sofá e poltronas da sala para ver se estava lá. Nada. Mesmo tendo a certeza de que não poderia ter escapado, sai para o hall e o chamei. Nada. Voltei. Achei que ouvira um fraco miado. O desgraçado estava gozando de mim? Vasculhei a casa toda de novo. Nada. Quando menos espero, ouço novamente aquele miado. Olho para cima e ei-lo, belo e folgado no topo de uma cristaleira alta que quase toca o teto. Ele me olha e eu o encaro. Como é que subiu ali, seu gato maroto? Solta um mio mais forte, como a dizer: Achou!
       Naquele fatídico dia, o gato preto consegue se desvencilhar dos meus pés e sai pelo hall afora. Chega próximo da escadas que vão para o andar de baixo, olha para mim como a me desafiar: Venha me pegar! Naquele instante, ouve-se o latido do buldogue do vizinho por detrás da porta. O gato se assusta e desce correndo pelas escadas. E eu corro atrás dele. Ele para no hall daquele andar; parece hesitar, não sabendo o que fazer. Ouve meus passos e minha respiração ofegante. Espera até eu vê-lo e, de novo, desembesta pela escada abaixo para o outro andar. Só que desta vez ele encontra a porta de um apartamento aberta e entra, sem cerimônia, talvez pensando que fosse o seu. Estou chegando lá, suando às bicas, quando sou quase atropelado por ele, pois sai voando do apartamento perseguido por um enorme gato alaranjado, da raça Maine Coon. Sei que, em geral, são animais dóceis, porém meu gato preto invadiu seu espaço. E lá vou eu, subindo lances de escada atrás deles para ver o que aconteceu. No meu andar, uma cena inusitada: o Maine Coon está na soleira da porta de casa, se esfregando no meu outro gato. 
      E o gato preto? Aquele covarde foi encontrado, mais tarde, debaixo do sofá. Ficou dois dias sem se alimentar, tamanho o susto que levou. Atualmente ele não se digna nem a levantar para vir nos cumprimentar quando chegamos da rua.  Deve ainda sonhar com o Maine Coon, o maior gato doméstico existente e que, para ele, deve ser parecido com algum tipo de monstro.

A Viagem Frustrada

A VIAGEM FRUSTRADA

Walter Whitton Harris
(São Paulo - SP)














Queríamos fazer uma viagem
Na época em que faz estiagem,
Assim, se não chove
Não há quem desaprove,
Aproveita-se muito bem a paisagem.

Preparamos as malas com afinco,
Todo o roteiro ficara um brinco.
Bilhetes encomendados...
Parentes distantes avisados...
– Não s’esqueçam de fechar a porta com o trinco!

Certo dia fomos fazer uma visita
Numa casa de campo bonita,
A esposa escorregou,
O tornozelo fraturou,
Nos pedriscos da estrada maldita.

A viagem planejada foi suspensa
A reserva de bilhetes se dispensa
Um colega a operou,
Com parafusos ficou,
E o gesso, que raiva, que ofensa!

Parecia que eu estava invejoso.
Batendo bola num tênis gostoso
O pé no chão travou,
De costas, o corpo voou,
Escorei-me no punho: foi calamitoso!

– Sofri uma fratura! – clamei da desavença.
– Não é possível! – me disseram, com descrença.
E um colega me operou,
O punho, com parafusos ficou,
E o gesso, que raiva, que ofensa!

Cinco meses certamente levei,
Na verdade quase me recuperei.
As malas, carregar
Não há o que falar,
Mas será possível viajar, pensei.

Queríamos fazer uma viagem,
Aproveitando muito bem a paisagem.
Porém, agora só chove
Há quem então desaprove.
Resolvi: Ficará para o ano que vem!